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Apresentando a Síndrome de Burnout


O tema Burnout não está na moda à toa. Estamos enfrentando sérias dificuldades como organizações e como indivíduos para lidar com o esgotamento físico e mental no trabalho. E o volume de pessoas diagnosticadas com essa síndrome não para de aumentar.


Por isso, resolvemos nos debruçar sobre o tema e compartilhar nossas reflexões em três textos (e três episódios do nosso canal Relações Simplificadas no YouTube).


Você pode ler o primeiro texto, “Apresentando a Síndrome de Burnout”, logo abaixo.


Leia o segundo texto, “Burnout, como chegamos até aqui” no link: https://www.relacoessimplificadas.com.br/post/burnout2


Leia o terceiro texto, “Burnout – Mudanças Necessárias” no link: https://www.relacoessimplificadas.com.br/post/burnout3


Boa leitura e obrigado pela companhia!


Apresentando a Síndrome de Burnout


Herbert Freudenberger

A primeira definição da “burn out” foi apresentada em 1974 pelo psicólogo Herbert Freudenberger.


Nascido na Alemanha, com a ascensão de Hitler e dos nazistas e a intolerância e a perseguição aos judeus, sua família foi forçada a se mudar para os Estados Unidos quando ele ainda era pequeno. Ele descreveu a “burn out” como um “estado mental e físico de exaustão causado pela vida profissional de uma pessoa”. Ele usou a expressão para se referir a um estado de sofrimento extremo causado pelo estresse e fadiga associados ao trabalho.


Recentemente, a Organização Mundial da Saúde anunciou uma mudança na CID (Classificação Internacional de Doenças) em relação à Síndrome de Burnout.


A CID é um catálogo que padroniza a nomenclatura das doenças no mundo. Do ponto de vista mais macro, essa padronização serve, por exemplo, como um guia epidemiológico para profissionais e instituições de saúde, assim como para órgãos governamentais, pautarem as intervenções de cuidado e atendimento à saúde; ou para ser utilizada como guia na construção de políticas públicas de maneira que todos saibam que estão falando a mesma língua.


E qual seu impacto em nossa vida cotidiana? Por exemplo, quando um médico nos dá um atestado, ou quando solicita ao convênio o reembolso de um tratamento, ele precisa justificar seu pedido através de um código na CID, de maneira que o RH da empresa ou o convênio saibam o porquê daquele tratamento.


A mudança feita pela OMS para a próxima edição da CID, que entra em vigor em 2022, melhora a descrição da burnout.


A mudança na CID especifica com maior clareza o fato de a burnout ser uma síndrome relacionada ao trabalho. Isso é fundamental, pois a classificação em vigor hoje em dia, que está ultrapassada, deixa essa questão muito vaga.


Segundo a Classificação atual, que é de 1990, a burnout recebe o código Z73, que são “Problemas relacionados com a organização de seu modo de vida” (o grifo é nosso). A partir da atualização da CID, ela será classificada como um “Problema associado ao emprego ou desemprego” (novamente, o grifo é nosso).



Portanto, a partir daí, a Burnout será descrita como uma “síndrome conceituada como resultado do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. É caracterizada por três dimensões: 1) sentimentos de esgotamento ou exaustão de energia; 2) maior distância mental do trabalho, ou sentimentos de negativismo relacionados ao trabalho; e 3) eficácia profissional reduzida.” O texto da CID termina com uma advertência: “A burnout refere-se especificamente a fenômenos no contexto ocupacional e não deve ser aplicada para descrever experiências em outras áreas da vida.”


Para os profissionais de Recursos Humanos, essa distinção entre a definição antiga e a nova é muito importante. A partir de 2022, não será mais possível atribuir a burnout ao estresse da vida privada do funcionário ou colaborador, que é uma brecha existente na atual definição.


E certamente é uma distinção importante para todos, pois estamos falando de algo que está afetando uma quantidade enorme de pessoas. Uma pesquisa que entrevistou mais de 150 mil pessoas em todo o mundo, lançada este ano (2019), mostrou que um terço da população mundial sofre de estresse e irritabilidade. E o trabalho tem sido uma das causas mais crescentes destes sofrimentos.



A mudança na CID, no entanto, foi divulgada com informações muito confusas sobre a Burnout. Por isso, neste texto, vamos tentar esclarecer alguns pontos:


Em primeiro lugar, vocês devem ter percebido que estamos usando “a” burnout, no feminino, por estarmos tratando de uma síndrome, “a” síndrome de burnout. Como burnout é uma palavra em inglês, recai sobre ela uma dúvida quanto ao seu gênero.

Em segundo lugar, é importante ressaltar que a síndrome de burnout não é uma doença, embora possa levar ao adoecimento, em casos extremos. Como o próprio nome diz, é uma síndrome, ou seja, é formada por um conjunto de sinais e sintomas que não necessariamente tem uma causa conhecida e não necessariamente resulta em um quadro de adoecimento.


E o que são sinais e sintomas? Sinais são aquelas manifestações que o outro pode perceber como, por exemplo, manchas na pele, olheiras profundas causadas por algumas noites de insônia ou, até mesmo, em alguns casos de burnout, queda de cabelo.


Já os sintomas são manifestações que têm um caráter mais subjetivo e dependem da descrição da pessoa acometida pela alteração. Alguns sintomas comumente relatados na burnout são as alterações do humor, a falta de memória, sentimentos negativos (como sentimento de fracasso, insegurança, incompetência) e até mesmo as dores de cabeça.


O Ministério da Saúde elencou uma série de sintomas da Burnout para que possamos ficar atentos. São eles:


  • Cansaço excessivo, físico e mental.

  • Dor de cabeça frequente.

  • Alterações no apetite.

  • Insônia.

  • Dificuldades de concentração.

  • Sentimentos de fracasso e insegurança.

  • Negatividade constante.

  • Sentimentos de derrota e desesperança.

  • Sentimentos de incompetência.

  • Alterações repentinas de humor.

  • Isolamento.

  • Fadiga.

  • Pressão alta.

  • Dores musculares.

  • Problemas gastrointestinais.

  • Alteração nos batimentos cardíacos.


Se você perceber estes sintomas, procure um psicólogo ou um médico psiquiatra. O tratamento mais eficaz passa pela psicoterapia ou pela análise e por uma mudança no estilo de vida. Em casos extremos, pode incluir uma fase medicamentosa.

Nós criamos uma ferramenta para ajudar a administrar essas mudanças de uma forma muito efetiva. Ela foi criada para apoiar as pessoas a fazerem tudo aquilo que já sabem que tem que ser feito quanto ao cuidado de si (como, por exemplo, dormir bem, comer bem, fazer exercícios) mas acabam não conseguindo. Isto é, para ajudar as pessoas a não deixar de lado essas coisas tão importantes. Você pode baixar este jogo de graça no link: https://www.relacoessimplificadas.com.br/


E você pode assistir aos episódios 05: Disciplina do Eu e 06: Simplificador I do nosso canal no YouTube, para mais explicações sobre como jogar. Mas lembre-se sempre que ajuda profissional é fundamental e que nada substitui o cuidado real.


Esperamos que essa breve apresentação da Síndrome de Burnout possa nos ajudar a observar esse grande problema que estamos enfrentando no mundo de hoje. Esse é só o começo da nossa série sobre o tema. No próximo texto, falaremos sobre as mudanças na qualidade de vida no trabalho desde a Revolução Industrial, para tentar entender como chegamos na atual situação.


Veremos que tivemos muitas conquistas que hoje parecem banais, como o direito de sair vivo do trabalho, por exemplo. E que essas conquistas de bem-estar do corpo foram muito importantes para o trabalhador, mas também para os empregadores, que viram a produtividade aumentar.


Mas ao focar no cuidado do bem-estar físico, parece que, em algum momento, nos descuidamos do bem-estar mental. E hoje o sofrimento psíquico está ultrapassando alguns limites e causando perdas importantes, tanto mentais, quanto morais e mesmo financeiras.


Leia o segundo texto, “Burnout, como chegamos até aqui” no link: https://www.relacoessimplificadas.com.br/post/burnout2


Leia o terceiro texto, “Burnout – Mudanças Necessárias” no link: https://www.relacoessimplificadas.com.br/post/burnout3


Assista ao episódio "Apresentando a Burnout" no canal Relações Simplificadas:




Episódio 05: Disciplina do Eu - https://youtu.be/gYPyDcwBsno

Episódio 06: Simplificador I - https://youtu.be/xZbKJ3h1e4g


Assine o Manifesto pela Cultura Psi neste link: https://www.relacoessimplificadas.com.br/manifesto


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