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5 dicas para lidar com a quarentena

Nesta situação de quarentena, de isolamento, podemos sentir um turbilhão de coisas dentro de nós; angústia, ansiedade, carência e até raiva. Tudo isso faz com que nos questionemos: onde foi parar o meu eu?



A situação atual, devido à crise provocada pelo coronavírus, não está fácil para ninguém. Tem gerado tanta preocupação e medo, que às vezes nos percebemos tendo reações, ou nos comportando de maneiras que são estranhas, de maneiras que não gostamos, com ações em que não nos reconhecemos. Então você para e se pergunta, onde está o meu eu normal? É como se estivéssemos em colapso.

E é disso que a gente quer cuidar neste texto. Discorreremos sobre por quê isso acontece, algumas possíveis consequências e daremos algumas dicas pra você lidar com essa questão: Como é cuidar dos nossos vários “eus” durante esse confinamento.

Se você está passando por momentos em que nem você consegue reconhecer direito o que está acontecendo contigo, ou acha muito estranhas as suas reações, isso não quer dizer que você está sofrendo de múltiplas personalidades. Mas sim, quer dizer que estamos sofrendo.

Quando nos encontramos em um estado de sofrimento, muitas vezes causado pelas incertezas quanto ao futuro, pelo medo, pelo sentimento de impotência, vulnerabilidade, ou quando ficamos com raiva ou revoltados com a situação, podemos ter reações que escapam ao nosso controle. É como se um outro “eu” estivesse no comando. E esse outro “eu” vai tomando decisões e levando-nos a nos comportar segundo os critérios e prioridades dele, desse outro “eu”. E é por isso que precisamos cuidar dos nossos múltiplos “eus”. Por exemplo, quando as pessoas se casam, ninguém cogita que vai ter que fazer uma quarentena em isolamento com o marido, com a esposa. Então, vem o coronavírus e os casais começaram a descobrir que se casaram com uma pessoa que tinha guardado, lá no fundo, um eu muito diferente daquele eu que disse “sim” no altar. Um “eu” bem mais difícil de lidar.


Agora que a quarentena está acabando na China, estão acontecendo divórcios em número recorde. Os casais tiveram que enfrentar o isolamento com os outros “eus” dos maridos, das esposas, que não eram esperados. Agora que conheceram esse lado uns dos outros, não conseguem mais ficar juntos. Se você quiser conferir essa matéria clique aqui. Gostamos de acreditar no controle, e isso não é diferente quando se trata da nossa autoimagem. Acreditar que temos uma essência pode trazer uma sensação de segurança, mas não ajuda em situações extremas. Temas como “a essência da nossa personalidade”, “o nosso eu verdadeiro” caem por terra nessas horas. É preciso lidar com o fato de que o nosso “eu” é uma instância dinâmica, é uma parte nossa suscetível aos efeitos do meio, do nosso mundo interno e em constante transformação. E ser capaz de observar como o nosso “eu” reage em cada situação vai aumentar o nosso autoconhecimento. Também é importante lembrar que boa parte de quem somos só pode ser conhecido através da investigação do nosso Inconsciente. Então, já que em muitos momentos sentimos que perdemos o controle nessa situação, resolvemos separar algumas dicas pra te ajudar a se sentir melhor e ter mais contato com a melhor versão de si mesmo, de si mesma.

Dica número 1: Foque no presente Não vai resolver nada adiantarmos certas preocupações com o que vai acontecer. Ainda mais em um país em que os discursos das autoridades mudam de um dia pro outro. Um dia os políticos dizem que vão fazer, no outro dizem que não vão fazer. Hoje mordem, amanhã assopram.


Essa relação vai gerando mais incerteza e dúvida na nossa cabeça, mas uma coisa vai ficando clara: NÃO SABEMOS O QUE VAI ACONTECER! Não sabemos o que será decidido, quem vai ficar doente e quem não vai, e até quando vai tudo isso. A única coisa certa que temos é o aqui e o agora. Vamos fazer o que há de melhor a ser feito hoje, com serenidade e seriedade.


Segunda dica: Faça um exercício de mapeamento de suas emoções Pegue uma folha de papel e faça uma linha dividindo-a ao meio. Faça um sinal de positivo de um lado e um sinal de negativo do outro. Toda vez que se sentir bem, anote no papel o que você está fazendo e o que está acontecendo ao seu redor. Toda vez que você se sentir mal, anote o que você está fazendo ou o que está acontecendo.


Talvez a lista fique muito maior do lado negativo, mas não tem problema. O importante é mapear o que faz você se aproximar de sentimentos positivos e tentar incluir, na medida do possível e do saudável, essas atividades que você mapeou na sua rotina. Terceira Dica: Tente estabelecer uma rotina de tarefas e atividades Uma rotina estabelecida pode ajudar na organização do nosso mundo interno. Na rotina que estou fazendo com meu filho, combinamos o que cada um vai fazer no dia seguinte, de meia em meia hora. Parece uma loucura, mas posso afirmar que loucura era o que estávamos vivendo antes, a angústia de ter que conciliar todas as obrigações e todas as vontades! Foi um jeito que demos pra dar conta dos nossos “eus” mais alucinados que apareceram primeiro nessa história toda.


Você pode estar se perguntando: Conseguimos cumprir essa rotina à risca? Não! Mas Sentimos um alívio imenso ao saber que nosso dia terá esse mínimo de contorno; é uma questão psicológica mesmo.

Não sei se vocês estão vivendo isso, mas com todos os amigos com os quais converso, está se passando uma sensação de “barata-tonta”, de ficar rodando na casa, começar uma coisa, não terminar, passar para outra. Querer ser produtivo, aproveitar o tempo, fazer aquele monte de projetos, planos, os cursos todos que tiveram sua licença aberta, ler, etc. Chega no final do dia e você simplesmente não fez nada.

Esta rotina acalmou meu coração e essa sensação da barata-tonta. E funcionou também para o meu filho de 6 anos.



Quarta dica: Marque encontros virtuais Não é a mesma coisa que estar presencialmente com as pessoas que amamos, mas ajuda muito. Mantenha-se em contato! Quinta dica: Experiência de Escuta

Por fim, se estiver muito difícil, marque uma Experiência de Escuta. Um grupo de Psicólogos e Psicanalistas se reuniu e está oferecendo escuta para quem quiser desabafar, elaborar, reclamar ou pensar a respeito de tudo isso. É muito simples e de graça. Você acessa www.relacoessimplificadas.com.br/escuta, escolhe um profissional, um horário e depois vocês se encontram por vídeo chamada ou chamada de áudio. Mas atenção, não é terapia, é um lugar de conversa e escuta com um profissional qualificado. Para atravessar esse momento, temos repetido o tempo todo: Sejamos pacientes, tolerantes e vamos unir esforços para ajudar a nós mesmos. O melhor caminho agora é a solidariedade e o entendimento. Não vamos cair na armadilha da negação. Vamos cobrar das autoridades políticas públicas sérias, para ajudar quem mais precisa. Se cuida!






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